quinta-feira, 29 de setembro de 2016

Para Cosems/RS novos cursos de medicina não bastam. Perfil do profissional formado precisa ser revisto.

COSEMS/RS destaca a importância dos novos cursos de medicina; contudo, perfil de formação deve ser modificado para atender à saúde pública e as necessidades da população.

O presidente do Conselho das Secretarias Municipais de Saúde do Rio Grande do Sul (COSEMS/RS), Marcelo Bosio, considerou importante a publicação ontem (27) da portaria nº 545 do Ministério da Educação que habilitou quatro instituições no Estado para a instalação de novos cursos de medicina no Estado. Ele destacou que mais essa etapa, possibilitada pelo programa Mais Médicos, está de acordo com a demanda dos municípios brasileiros e é defendida pelo COSEMS/RS.

Contudo, para Bosio, além de possibilitar mais vagas para a formação de médicos, é fundamental que o modo de formação seja reavaliado e adequado ao perfil que a saúde pública exige. “Atualmente há uma desconexão entre a formação que o profissional recebe nas universidades – inclusive nas públicas – e as reais necessidades do sistema de Saúde”, disse. “É evidente a necessidade da formação de mais médicos. Porém, esse aumento de formação possibilitado pelo programa não pode ser exclusivamente voltado ao mercado, como sempre foi, mas, deve, essencialmente, atender as necessidades da população na Atenção Básica, nas periferias, nos municípios distantes dos grandes centros, nas comunidades rurais e onde o acesso é mais difícil.”

Para o presidente do COSEMS/RS, o objetivo da abertura de mais vagas para a formação de médicos pode não ser alcançado em sua plenitude, caso a questão curricular da formação não seja reavaliada. Ele defende a importância de os profissionais realizarem residência junto às comunidades, por meio da Atenção Básica, de modo que essa formação seja próxima e diretamente relacionada com a população. “O envolvimento do profissional com a comunidade é fundamental e é o elemento modificador de realidade”, disse. “Essa é a essência do Programa de Saúde da Família e esse elemento não pode estar desassociado da formação desses profissionais.”

No dia 20 de setembro, o Ministério da Saúde anunciou a renovação do acordo com a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) que garante por mais três anos a atuação de médicos cooperados no país, os médicos cubanos. A meta nesse período, segundo o Ministério, é ampliar a participação de brasileiros com a oferta de 4 mil vagas atualmente preenchidas pelo acordo internacional, fortalecendo a participação de médicos brasileiros no programa. A previsão é que, entre dezembro de 2016 e abril de 2017, cerca de 2 mil vagas de cooperados sejam oferecidas em editais.

Outro aspecto destacado por Bosio, além da dificuldade da adesão de médicos brasileiros ao programa, é a permanência desses profissionais, especialmente para atender nas regiões distantes dos grandes centros, em zonas rurais ou a grupos específicos como quilombolas, índios e assentados da reforma agrária. Segundo dados do Ministério da Saúde, cerca de 25% dos médicos brasileiros desistem de atuar no programa. “A questão central não é a abertura de vagas para brasileiros, tendo em vista que isso sempre ocorreu e de maneira prioritária. O que precisamos é ter profissionais que se disponham a atender nesses locais, que entendam a lógica do Sistema Único de Saúde e estejam comprometidos com as comunidades”.

NOVOS CURSOS - Quatro universidades do Rio Grande do Sul, localizadas nos municípios de Ijuí, Erechim, Novo Hamburgo e São Leopoldo, estão habilitadas a abrirem cursos de medicina. A informação foi divulgada hoje (27) pelo Ministério da Educação (MEC), através da Portaria 545, publicada no D.O.U, que apresenta a relação das instituições de educação superior selecionadas e classificadas no âmbito da chamada pública do Edital nº 6/2014, de 23 de dezembro de 2014. Esse é um resultado do programa Mais Médicos no eixo de formação. Ao todo, devem ser abertas 230 novas vagas.

Fonte: http://conasems.org.br/rede-cosems/rs

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