produtividade

Estudo diz que trabalhar 12 horas pode prejudicar vida profissional, pessoal e também a empresa

3/24/2013 08:12:00 PM

Pesquisadores da Universidade Harvard concluíram que trabalhadores que não dormem o suficiente custam a empresas americanas US$ 63,2 bilhões por ano em produtividade perdida
O sábio chinês Lao-tse escreveu há 2.500 anos: "Aquele que se apega ao trabalho não cria nada que perdure. Se quiser viver segundo o Tao, faça seu trabalho e depois se afaste dele." Mas isso é mais fácil de dizer do que fazer. Os chineses da antiguidade não tinham a internet nem as atualizações instantâneas das Bolsas de Valores.
 
Considere a história de Erin Callan, que era executiva-financeira-chefe da Lehman Brothers na época em que a empresa desabou, em 2008. Callan escreveu no "New York Times" que sua dedicação incansável e as horas incontáveis que passava no trabalho a deixaram praticamente sem vida pessoal, com um casamento que não demoraria a ir por água abaixo. "Quando deixei meu emprego, isso me deixou arrasada", escreveu. "Eu não sabia valorizar quem eu era, em oposição ao que eu fazia."
 
Callan e muitas outras pessoas como ela talvez se sintam reconfortadas com descobertas que indicam que a maneira mais eficiente de realizar coisas talvez seja passar mais tempo fazendo menos.
 
"A renovação estratégica -que inclui fazer exercícios físicos durante o dia, tirar sonecas curtas à tarde, passar mais horas dormindo, passar mais tempo longe do escritório e tirar férias mais longas e frequentes- resulta em melhorias na produtividade, na performance no trabalho e, é claro, na saúde", escreveu no "NYT" o consultor de administração do tempo Tony Schwartz.
 
Parece contraintuitivo. Impérios foram erguidos sobre a ideia de que "mais é mais", correto? O lema de que "menos é mais" não seria próprio de arquitetos minimalistas e pessoas preguiçosas?
 
Schwartz e muitos outros discordam. O consultor observa que trabalhar demais, algo que frequentemente tem como consequência dormir de menos, prejudica não apenas os profissionais, mas também as empresas para as quais eles trabalham.
 
Um estudo recente da Universidade Harvard concluiu que trabalhadores que não dormem o suficiente custam a empresas americanas US$ 63,2 bilhões por ano em produtividade perdida. Outro estudo concluiu que sonecas aumentam a produtividade no trabalho.
 
Outro estudo, este da Universidade Florida State, constatou que as pessoas de performance mais alta -atores, atletas e músicos de elite- tendem a trabalhar melhor em períodos de 90 minutos, raramente mais que três vezes por dia, separados por intervalos regulares. O dia de trabalho de 12 horas ininterruptas diárias não é uma opção sensata.
 
Os atletas de alto nível, cujos corpos precisam de longos períodos de descanso, sabem disso há muito tempo. Mas essa máxima não se aplica apenas a eles.
 
Um estudo feito com três grupos de mulheres na faixa dos 60 aos 74 anos de idade que se exercitavam respectivamente duas, quatro e seis vezes por semana constatou que mulheres dos três grupos tiveram quase os mesmos benefícios físicos, mas aquelas que se exercitavam seis vezes por semana sofreram mais fadiga e eram menos ativas de maneira geral.
 
Tudo isso soa como lições da era moderna, mas não é de hoje que são lançados avisos contra o excesso de atividade.
 
Erin Callan parece ter enxergado a luz taoista: "Eu não precisava ficar atenta ao meu BlackBerry de manhã até a última hora da noite. Não precisava fazer a maioria de minhas refeições à mesa do trabalho. Não precisava varar a noite num avião para uma reunião na Europa no dia do meu aniversário. Hoje acredito que eu poderia ter chegado a uma posição semelhante tendo uma versão um pouco melhor de uma vida pessoal. Não sem sacrifícios, mas com um pouco mais harmonia."

Fonte: Jornal da Ciência

fontes de informação; patentes

Sistema eletrônico vai agilizar os exames de patentes no País

3/24/2013 08:07:00 PM

O e-Patentes, sistema on-line para depósito de patentes , será lançado hoje  pelo Insituto Nacional de Propriedade Industrial
O sistema online para depósito de patentes, o e-Patentes, será lançado nesta terça-feira pelo Insituto Nacional de Propriedade Industrial (Inpi). O sistema eletrônico vai tornar mais rápido e simples todo o processo de patentes pelo instituto. O presidente do Inpi, Jorge Ávila, ressaltou que o depósito online traz vantagens em relação ao depósito em papel.
 
"Quando você faz o preenchimento dos formulários eletrônicos, o formulário critica o que está sendo preenchido e os erros que a máquina consegue identificar são evitados já na hora do preenchimento. Além disso, como o formulário é transmitido por via eletrônica, não tem manuseio, não tem que digitalizar. Então, não tem extravio, não tem perda de informação na digitalização. Produz uma entrada de dados para o Inpi muito mais simples, ágil, limpa e livre de erros. Isso agiliza o exame", descreveu Ávila. Ao final, segundo ele, o sistema emite um comprovante com um código QR que permite acompanhar o andamento do pedido.
 
A meta do Inpi é chegar ao fim de 2014 com uma capacidade de processamento de 50 mil patentes por ano, englobando o arquivamento administrativo, o indeferimento técnico e a concessão. "Se a gente atingir essa marca, vai estar podendo entregar ao usuário que depositar pedidos de patente em 2014 o resultado do pedido dele em um tempo tão curto, como o oferecido em qualquer escritório eficiente do mundo. Isso significa quatro anos a partir do depósito ou entre 12 meses e 18 meses a partir do pedido de exame, o que é uma marca bastante boa", enfatizou o presidente do instituto.
 
O Inpi vai oferecer também, para os clientes que tiverem o órgão como primeiro escritório de depósito, o serviço de uma avaliação preliminar da patenteabilidade. "O exame preliminar dá informação para ele até 12 meses a partir do depósito, de maneira que tenha possibilidade de aperfeiçoar o seu pedido e de fazer negócio com aquele pedido de patente, mesmo antes de essa patente ser decidida", continua Ávila. O serviço de avaliação preliminar já está disponível.
 
No ano passado, as decisões sobre patentes envolveram 32.574 processos, devido a um estoque elevado de pedidos de patentes de anos anteriores para ser arquivado. Para 2013, o volume de processamentos é estimado em 22 mil. O sistema online de depósito de patentes será lançado durante congresso do Inpi que começa hoje e se estenderá até quinta-feira, no Rio de Janeiro.
 
(Agência Brasil)

FBN oferece três editais de valorização e fomento de produtores, criadores e escritores negros

3/20/2013 03:00:00 PM




A Fundação Biblioteca Nacional (FBN/MInC) oferece três editais voltados para criadores e escritores negros. Os editais fazem parte do projeto do Ministério da Cultura (MinC) e da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (SEPPIR) de valorização e fomento de produtores, criadores e escritores negros.
Os objetivos dos editais são formar novos escritores, elevar o número de pesquisadores negros e de publicações de autores negros e incentivar pontos de leitura de cultura negra em todo o país de forma a se estabelecer novo paradigma em todas as linguagens apoiadas pelo MinC, com a participação efetiva da população negra brasileira.
O Edital de Pontos de Leitura visa a implantação de 27 pontos de leitura em instituições selecionadas por edital público, onde serão desenvolvidas atividades de mediação de leitura, criação literária, publicação, seleção de acervo e pesquisa para entidades da sociedade civil com ações voltadas para a preservação da Cultura Negra e afirmativas de combate ao racismo no país. O edital prevê recursos no valor de R$ 3.200.000,00 (três milhões e duzentos mil reais) do Tesouro Nacional destinados a Programas Culturais.
O edital de apoio à pesquisa prevê a concessão de até 23(vinte e três) bolsas para o desenvolvimento de projetos de pesquisa para pesquisadores negros para a promoção e disseminação do conhecimento e preservação da memória cultural brasileira através de trabalhos originais em qualquer área definidas pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico – CNPq. O edital tem valor aproximado de R$ 196 mil e as bolsas serão divididas em três categorias: 1 (um) para pesquisador-doutor no valor de R$30 mil; 2 (dois) para pesquisadores – mestres no valor de R$22.800 mil, e 20 (vinte) para pesquisadores – juniores de iniciação cientifica, formandos ou recém-graduados no valor de R$6 mil.
O terceiro e último edital busca a co-edição de livros de autores negros em meio impresso e/ou digital. Poderão participar do Edital, editoras privadas ou públicas, institucionais ou universitárias, entidades públicas ou privadas, com ou sem fins lucrativos, e organizações da sociedade civil, desde que tenha em suas finalidades a publicação de livros. O edital tem valor de R$ 500 mil e prevê o lançamento de até 25 (vinte e cinco) obras no prazo máximo de 180 dias após as assinaturas.
Mais informações: pesquisa@bn.br
Acesse os editais e confira os prazos para inscrições:
Prazo: até 25 de março de 2013
Prazo: até 30 de abril de 2013
Os proponentes deverão inscrever suas propostas no portal de convênios/ Siconv
P
rograma nº: 2040420130001
Prazo: prorrogado até 25 de março de 2013.

energia solar

Descoberta nova forma de capturar energia do Sol

3/20/2013 09:02:00 AM

Fonte: Inovação Tecnológica


Célula solar metálica

Células solares fotovoltaicas, coletores termossolares e dispositivos de fotossíntese artificial estão entre as possibilidades de coletar e aproveitar a energia solar.

Agora, cientistas da Universidade da Califórnia em Santa Bárbara, nos Estados Unidos, descobriram uma forma totalmente nova de capturar a energia do Sol.

A maior vantagem da nova técnica é que ela se baseia inteiramente em metais, que são mais robustos do que os materiais semicondutores utilizados tradicionalmente.

"É a primeira alternativa radicalmente nova e potencialmente funcional aos dispositivos de conversão baseados em semicondutores nos últimos 70 anos ou mais," garante o professor Martin Moskovits, coordenador da equipe.

Continue lendo em: http://www.inovacaotecnologica.com.br/noticias/noticia.php?artigo=nova-forma-capturar-energia-sol-gera-hidrogenio&id=010115130226

Inscrições abertas para curso de pós-graduação na Uergs

3/20/2013 08:58:00 AM

Fonte: Uergs


Clique na imagem para ampliar
A Universidade Estadual do Rio Grande do Sul (Uergs) informa a abertura neste semestre de suas primeiras turmas de cursos de pós-graduação latu-sensu (especialização).

O Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão (Conepe) da Uergs aprovou, no início de fevereiro, e Resolução 001/2013, que normatiza as atividades de pós-graduação na Universidade.

Considerando a publicação desta Resolução, a Uergs dá início às atividades de especialização com a implantação imediata do curso Educação para a Sustentabilidade, que será ministrado a partir de maio, na Unidade em São Francisco de Paula, e Segurança Alimentar e Agroecologia, na Unidade em Três Passos, no segundo semestre.

Inscrições iniciam dia 19 de março

Para o  curso de Educação para a Sustentabilidade, as inscrições deverão ser realizadas de maneira presencial e estarão abertas no período de 19 de março de 2013 a 12 de abril de 2013.

De acordo com Marc François Richter, pró-reitor de Pesquisa e Pós Graduação da Uergs, os cursos terão 360 horas/aula, não computados o tempo de estudo individual ou em grupo realizado pelo aluno, sem a assistência de um professor, e o tempo destinado à elaboração do trabalho de conclusão do curso. Ele lembra ainda que os cursos não tem nenhum tipo de custo para os alunos.

Saiba mais sobre os Cursos de Especialização da Uergs:

Curso
Coordenação
Unidade
Previsão de Inicio do Curso
Educação para a Sustentabilidade
Marcelo Maisonette Duarte
São Francisco de Paula
Maio de 2013
Segurança Alimentar e Agroecologia
Danni Maísa da Silva
Três Passos
2013/2

biologia marinha

Fóssil de baleia azul com quase 2 mil anos pode ajudar a evitar extinção da espécie

3/15/2013 02:42:00 PM



Um fóssil de baleia azul (Balaenoptera musculus) com aproximadamente 1,8 mil anos, encontrado na praia do Leste, no município de Iguape, litoral sul paulista, poderá ajudar a evitar a extinção da espécie. "Nós encontramos ossos da coluna vertebral e pegamos a bula timpânica, que é equivalente ao ouvido. [Isso] vai permitir que eu possa identificar com certeza a espécie", explica o professor Francisco Buchmann, coordenador do Laboratório de Estratigrafia e Paleontologia da Universidade Estadual Paulista (Unesp).
 
Parte do crânio do animal foi encontrado por um morador local, em agosto do ano passado. Ewerton Miranda de Souza entrou em contato com a Sociedade Brasileira de Paleontologia que indicou o laboratório da Unesp para remover e avaliar os ossos. Nesta semana, a idade do osso foi atestada após análise de um laboratório americano especializado em datação por meio do carbono 14. Estima-se que a peça tenha entre 1,8 mil e 1,9 mil anos.
 
Buchmann destaca que, atualmente, existem apenas entre 100 e 200 baleias dessa espécie no mundo. "Normalmente, fala-se que a [população de] baleia azul está crescendo, mas [com essa descoberta] vai ser possível provar com certeza que sim ou que não. [Será possível dizer]: eu não acho que é uma baleia azul, eu tenho certeza que é uma baleia azul", explica.
 
Na avaliação do professor, a espécie continua bastante ameaçada, pois a pesca é intensa, especialmente em países como a Noruega e o Japão. "A pressão é muito grande. Esses animais levam, às vezes, dez, 20, 30 anos para fazer um filhote. Se eu matar três quartos [da espécie], para ter esses três quartos de novo vou ter que esperar 50 ou 100 anos para recuperar e não dá tempo, porque no ano que vem vão continuar matando", apontou.
 
Além de contribuir para a conservação da espécie, a descoberta vai permitir estudos sobre a variação do nível do mar. "Inicialmente, eu pensei que o fóssil teria 6 mil anos, porque foi quando teve uma grande variação do nível do mar", explica. Depois de constatada a idade dos ossos, Buchmann concluiu que a fossilização ocorreu em virtude de um grande evento natural, como por exemplo uma tempestade.
 
"[Ocorreu] algo que encalhou esse animal na praia e rapidamente esse mesmo evento soterrou o animal. Ele ficou pelo menos parcialmente soterrado e isso favoreceu a fossilização", explicou. De acordo com o pesquisador, "todo organismo tem grande potencial de se tornar um fóssil, mas se ele cair na rua, por exemplo, ele apodrece. Agora, se um animal for soterrado, ele fica isolado do oxigênio, então ele não apodrece, ele fossiliza. As condições do ambiente favoreceram isso", esclareceu.
 
A praia onde os ossos foram encontrados tem rápida erosão, segundo o pesquisador, e foi isso que possibilitou a descoberta dos fósseis. "Em 2011, a distância do mar para onde a baleia foi encontrada era 700 metros. Isso quer dizer que, em 11 anos, o mar invadiu 700 metros, caíram várias casas, ruas inteiras desapareceram. Debaixo de uma das casas que caiu, apareceu essa baleia", relatou. Desde que ossos foram descobertos, o mar já avançou mais e agora a área está sob a água.
 
(Camila Maciel / Agência Brasil)
Fonte:http://agenciabrasil.ebc.com.br/noticia/2013-03-14/fossil-de-baleia-azul-com-quase-2-mil-anos-pode-ajudar-evitar-extincao-da-especie

acesso aberto

Acesso livre e repositórios institucionais

3/13/2013 09:51:00 PM

Entrevista com Cristina Guimarães, pesquisadora do Icict,; e Helio Kuramoto, do Ibict.
Dos Estados Unidos à Europa, os governos estão discutindo a questão do acesso livre (Open Access) à informação científica, em uma clara política que visa a romper o monopólio das editoras científicas comerciais.

Para se ter uma ideia do envolvimento da Fiocruz com a questão do acesso livre à informação científica, a Fundação tem o seu repositório institucional, o ARCA, que foi desenvolvido para reunir, disseminar e preservar a produção técnico-científica da Fiocruz, e que representa parte significativa do esforço da pesquisa pública em saúde no Brasil.

O ARCA também integra o movimento internacional pelo livre acesso à informação. A unidade responsável pelo repositório é o Icict que, inclusive, neste ano, abriu inscrições para o curso de especialização lato sensu em Informação Científica e Tecnológica em Saúde (ICTS/Icict/Fiocruz), com o tema "Repositórios Institucionais", enfocando quatro eixos: acesso, organização, comunicação e usos, e aplicações da informação científica e tecnológica.

Segundo Hélio Kuramoto, pesquisador do Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia,Ibict em seu "Blog do Kuramoto", citando o blog de Eloy Rodrigues, da Universidade do Minho (Portugal), o mês de fevereiro foi animador para aqueles que lutam pelo livre acesso. Rodrigues fez uma cronologia dos principais acontecimentos (leia aqui).

Falando nisso...

E no Brasil, como anda essa questão dos repositórios institucionais e do livre acesso? Nossa equipe ouviu a vice-diretora de Informação e Comunicação, coordenadora do Curso de Informação Científica e Tecnológica em Saúde (ICTS) e pesquisadora do Icict, Cristina Guimarães, e o pesquisador em Ciência da Informação, funcionário do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação - MCTI, atualmente lotado no Ibict, Helio Kuramoto sobre o tema.
 
? Qual o impacto das medidas adotadas tanto nos EUA quanto na Europa em relação ao livre acesso às pesquisas realizadas com verba pública?


Cristina Guimarães - Especialmente nos países ocidentais, um número crescente de financiadores de pesquisa coloca como requisito da subvenção o depósito dos resultados da pesquisa em repositório de acesso aberto. Quando não mandatórios, os financiadores "encorajam fortemente" que o depósito seja feito. Alguns números dão conta desse impacto, somente no campo das ciências da saúde: o US PubMed Central (PMC), repositório mantido pela National Institutes of Health (NIH), dos EUA, disponibiliza hoje mais de 2,5 milhões de artigos em texto completo. Na Europa, o Europe PMC, lançado em novembro de 2012, conta com mais de dois milhões de artigos científicos. É importante lembrar de uma forma complementar de financiar o livre acesso, quando os financiadores disponibilizam fundos adicionais para custear a publicação do artigo em uma revista de acesso aberto. 
Helio Kuramoto - Nos EUA, desde 2007, quando foi aprovada uma lei específica ao NIH - National Institutes of  Health, tornou-se obrigatório a todos os pesquisadores, financiados por aquela agência de fomento, o depósito de seus artigos publicados em revistas científicas no repositório PubMed Central, que hoje conta com cerca de 2,6 milhões de artigos depositados. Este número mostra o benefício que a referida medida trouxe não apenas aos pesquisadores americanos, mas de todo o mundo, inclusive, os profissionais, como os médicos.

Há dois anos, tive a oportunidade de comprovar isso ao fazer uma consulta com um médico urologista, em Brasília. Perguntei a ele como fazia para se manter atualizado e ele me surpreendeu, dizendo que consultava regularmente o PubMed Central. Esta foi a melhor prova dos benefícios que essa medida trouxe não apenas aos pesquisadores americanos, mas a todos os profissionais no mundo.

Em seguida, mais recentemente, no final do mês de fevereiro desse ano, o governo americano tomou a decisão, por meio de um memorandum, no qual foi estendido a todas as agências americanas de fomento, iniciativas aderentes ao Open Access. Ou seja, espera-se que em breve todas as agências americanas de fomento sigam o exemplo do NIH. E, futuramente, poderemos ter um acesso mais amplo à informação científica.
Da mesma forma, na Europa, vem se desenvolvendo projetos aderentes às iniciativas OA e, em meados do mês de fevereiro, houve uma evento em Portugal para se discutir o desenvolvimento desses projetos, o OpenAIRE e o MedOAnet, conforme se pode ver no link: http://openaccess.sdum.uminho.pt/?page_id=1791

Enfim, o impacto que esses projetos e iniciativas trarão é maior visibilidade da produção científica desenvolvida nesses países, pois, ao contrário do que ocorre com as publicações científicas onde apenas os seus assinantes têm acesso, uma comunidade maior de pessoas terá acesso aos resultados das pesquisas ocorridas nesses países.

? Caso essas medidas fossem adotadas no Brasil, que benefícios trariam à ciência brasileira?

CG - O primeiro e mais importante é a visibilidade (das pesquisas, dos pesquisadores, das instituições), etapa fundamental para o círculo virtuoso da ciência e da inovação. A visibilidade e o livre acesso à produção científica nacional também devem ser pensados em seu papel fundamental para a educação científica e a educação em saúde (health literacy), subsídios importantes para a governança da ciência e o controle social.

HK - Caso essas medidas fossem adotadas no Brasil, as pesquisas brasileiras ganhariam maior visibilidade, assim como os nossos pesquisadores e as nossas instituições de ensino e pesquisa. Além disso, o Brasil certamente obteria maiores oportunidades de cooperação técnica com outros centros mais desenvolvidos.

Não apenas o País, como um todo, mas, principalmente, os pesquisadores ganhariam maiores oportunidades de interação com outros pesquisadores de outras nações e, obviamente, proporcionariam maior progresso científico ao nosso País. Mais do que isso, com certeza, toda a população brasileira poderia usufruir os resultados dessas pesquisas e ter uma saúde melhor, e melhores condições de vida.

? Você acredita que há uma valorização dos pesquisadores e cientistas brasileiros em relação à publicação de seus estudos junto às editoras científicas em detrimento do uso dos repositórios institucionais?

CG - A resposta a essa pergunta não passa exclusivamente pela análise do comportamento ou das preferências do pesquisador. Inúmeros elementos se interpõem que vão desde as características da área do conhecimento (maturidade, dinâmica de crescimento, caráter nacional ou internacional, dentre outros) até a política de avaliação da ciência em prática no país. Para além dessas questões políticas e conceituais, os repositórios devem ser pensados como uma estratégia adicional de publicação, e não competitiva aos periódicos científicos.

HK - O fato de os pesquisadores brasileiros publicarem em uma revista científica comercial, obviamente, provoca uma valorização desses pesquisadores junto àquelas revistas. Mas, o fato do pesquisador brasileiro depositar os seus artigos em um repositório digital não o denigre ou o desvaloriza junto aos editores científicos. Aliás, o fato de o pesquisador brasileiro não depositar a sua produção científica em nenhum repositório de acesso livre, só prejudica a ele próprio, pois ele deixa de dar maior visibilidade à sua produção científica e, com isto, certamente, os próprios editores científicos também deixam de ganhar, pois, da mesma forma, as suas revistas deixam de ter a visibilidade que teria se um artigo de seu periódico estivesse presente em um repositório digital.
 
? O que falta, no Brasil, para que o livre acesso seja implantado em todos os institutos de pesquisa e demais órgãos que realizam pesquisas científicas?


CG - Há que se ter uma ampla discussão sobre o tema, envolver pesquisadores, gestores, políticos e a sociedade civil. Nos países onde a política se estabeleceu, ela o fez como resultado de muita discussão, de muita pressão pública. Se a função social da ciência prevalecer, ou seja, se o papel da ciência é estar a serviço da sociedade, o livre acesso à literatura se impõe. Cabe às políticas desenhar o melhor caminho para que isso seja alcançado. A Fiocruz já assumiu esse compromisso e colocou em curso a elaboração a Política de Acesso Livre a produção técnico-científica da instituição, por meio do repositório institucional ARCA.

HK - Desde 2007,  a Câmara dos Deputados vinha discutindo o Projeto de Lei (PL) 1120/2007, o qual propunha a obrigatoriedade de todas as universidades e centros de pesquisa ter os seus repositórios institucionais, e que tornasse obrigatório aos seus pesquisadores o depósito de seus artigos publicados em revistas científicas. No entanto, este PL, após praticamente quatro anos de discussão, foi arquivado em janeiro de 2011, devido à mudança na legislatura.

Em seguida, articulamos com o atual senador da República, Rodrigo Rollemberg, o mesmo que submeteu o PL 1120/2007, a submissão de um projeto similar no Senado Federal. Então, desde 2011, o PLS 387/2011 está em discussão. Tal projeto continua praticamente parado na Comissão de Ciência, Tecnologia, Inovação, Comunicação e Informática (http://www.senado.gov.br/atividade/materia/detalhes.asp?p_cod_mate=101006). O relator é o senador Cristovam Buarque.

Evidentemente, não haveria necessidade desse projeto se o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e o MEC - Ministério da Educação se organizassem e publicassem medidas, tornando obrigatório a todas as universidades e institutos de pesquisa públicos a implantação dos seus respectivos repositórios, e obrigassem os pesquisadores dessas organizações a depositarem a sua produção científica. No entanto, isso é uma coisa difícil de se alcançar, pois hoje a Capes tem o seu portal de periódicos e, portanto, a implantação dos repositórios seria uma medida que viria em direção oposta ao Portal da Capes. Existem aí interesses que não me cabe discutir. Mas, certamente, a implantação das medidas necessárias para o estabelecimento de repositórios digitais seria muito mais barato que a manutenção do referido portal, que custa aos cofres públicos mais de US$ 80 milhões. O custo de implantação de repositórios digitais é muito mais barato do que esse montante gasto pela Capes. Trata-se de matéria de interesse público.

(Graça Portela - Comunicação do ICICT/Fiocruz)

Fonte: JC

Pedagogia

A idade certa da alfabetização na visão de especialistas

3/13/2013 07:18:00 PM

A proposta do MEC de alfabetizar as crianças até os 8 anos de idade teve a adesão de 93,2% dos municípios brasileiros.
Qual a idade ideal para uma criança já saber ler e escrever? O Ministério da Educação lançou no final do ano passado, e implantou no nesse ano letivo de 2013, o Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade Certa - Pnaic, que estabelece que todos devem estar alfabetizados ao fim do 3º ano do ensino fundamental, aos 8 anos de idade. No país, 5.182 municípios dos 26 estados mais o Distrito Federal concluíram o processo de adesão ao pacto, o que representa 93,2% dos municípios. Todos receberam material didático e cursos de formação docente.
 
Para Miriam Lemle, professora titular emérita do Departamento de Linguística da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) afirmar que aos oito anos uma criança deve saber ler é correto. "É uma expectativa normal que uma criança normal em uma escola normal esteja lendo com fluência, ao fim do terceiro ano", afirma.
 
O que causa estranheza para a professora é o formato corretivo da medida. "A noção de pacto traz para o contexto uma ideia de corretivo, como se algum dos participantes no empreendimento estivesse descumprindo o papel que se espera dele e estivesse havendo alguma reprimenda implícita. O estranho é a necessidade de um pacto corretivo! Quem vem errando, anos a fio, Brasil afora? Fico curiosa de saber quem está puxando a orelha de quem e por que razão", indaga.
 
O coordenador do Centro de Memória da PUC do Rio Grande do Sul, o neurocientista Iván Izquierdo, afirma que do ponto de vista da neurociência, provavelmente com 5 ou 6 anos de idade a criança já tem condições de dominar e usar a linguagem. "É nessa idade que se começa a alfabetização na maioria dos países ocidentais, porém isso varia de criança para criança", pondera. Ele espera que o pacto respeite os diferentes ritmos de desenvolvimento das crianças.
 
Para Izquierdo, o problema está se a criança não for alfabetizada até os 8 anos. Com isso, ela poderá perder 2 ou 3 anos de sua vida sem entender plenamente o mundo em sua volta. "Nesse mundo há muitas coisas escritas importantes, entre elas 'proibido atravessar os trilhos', por exemplo. Daí, aos 8 anos é mais do que conveniente estar alfabetizado", concluiu.
 
Investimento de R$ 3,3 bi
 
Em dois anos, o pacto receberá investimento de R$ 3,3 bilhões. Como forma de incentivar a participação dos professores no Pnaic, o MEC oferece bolsas de R$ 200 mensais para o alfabetizador; R$ 765 para o orientador de estudo; R$ 765 para o coordenador das ações do pacto nos estados, Distrito Federal e municípios; R$ 1.100 para o formador da instituição de ensino superior; R$ 1.200 para o supervisor da instituição de ensino superior; R$ 1.400 para o coordenador adjunto da instituição de ensino superior; e R$ 2.000 para o coordenador-geral da instituição de ensino superior.
 
Dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) apontam que entre 2000 e 2010,  a taxa de analfabetismo no Brasil, até os 8 anos de idade, caiu 28,2%, com variações entre os estados da federação, e alcançou, na média nacional, uma taxa de alfabetização de 84,8% das crianças. Entre as regiões, existe uma diferença na taxa de analfabetismo, a maior está no Nordeste, 25,4%, seguido do Norte, 27,3%, Centro-Oeste, 9%, Sudeste, 7,8% e Sul, 5,6%. O estado com a maior taxa de analfabetismo é Alagoas, 35%, e o com a menor é o Paraná, com 4,9%.
 
(Edna Ferreira - Jornal da Ciência)
 
Esta matéria está na página 4 do Jornal da Ciência, disponível em PDF para download desde sexta-feira, dia 8 de março pelo endereço http://www.jornaldaciencia.org.br/impresso/JC732.pdf
 

biodiversidade

Base de dados brasileira recebe reconhecimento internacional

3/12/2013 02:38:00 PM

São Paulo - Dois importantes reconhecimentos internacionais atestaram recentemente a qualidade da NuBBE Database, uma base de dados inédita sobre produtos naturais isolados a partir da biodiversidade do Brasil, com informações sobre o potencial desses metabólitos secundários para uso em química medicinal, ecologia química e metabolômica.

O primeiro foi a publicação, no Journal of Natural Products, do artigo “Development of a Natural Products Database from the Biodiversity of Brazil” (Desenvolvimento de uma Base de Dados sobre Produtos Naturais da Biodiversidade do Brasil), assinado pela própria equipe da NuBBE Database.

Coeditado pela American Society of Pharmacognosy e pela American Chemical Society, o periódico é considerado um dos melhores do mundo na área da química de produtos naturais.
O segundo foi a solicitação feita à NuBBE Database pelo banco de dados Zinc, pedindo permissão para estabelecer um link cruzado entre os portais das duas base de dados.

Inpe promove curso online de meteorologia por satélite aplicada à agricultura

3/11/2013 10:01:00 PM

Promovido pelo CPTEC, o curso terá aulas a distância, de forma interativa e em tempo real, por meio da Rede Nacional de Pesquisa e Ensino
O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe/MCTI) realiza, de 13 a 15 de março, o curso online de meteorologia por satélite aplicada à agricultura. Promovido pelo Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC) do instituto, o curso terá aulas a distância, de forma interativa e em tempo real, por meio da Rede Nacional de Pesquisa e Ensino (RNP).

O objetivo é auxiliar os profissionais envolvidos com o setor agrícola a entender melhor os produtos derivados dos sensores remotos na aplicação da informação agrometeorológica para aumentar a eficiência da produção e contribuir para um ambiente sustentável. Durante o curso, serão fornecidas as ferramentas necessárias para a compreensão dos produtos de satélite e radar relacionados com a agricultura.

O curso será ministrado por pesquisadores do CPTEC/Inpe, do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) e da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

A programação e outras informações podem ser obtidas no site: http://cursos.cptec.inpe.br/meteorologia-agricultura-2013  (Denise Coelho / Ascom do MCTI)

Fonte: JC

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